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Direito da Saúde · Internação domiciliar

Plano de saúde negou home care: o que fazer?

Resposta curta

Quando o médico indica a internação domiciliar como substituta da internação hospitalar, o STJ considera abusiva a cláusula que exclui o home care. Nesse caso, a cobertura deve incluir os insumos e a estrutura que o paciente teria no hospital.

O que define o direito é a indicação médica: o relatório precisa deixar claro que o home care substitui a internação, e não é apenas uma comodidade.

O que a lei e o STJ garantem

Nenhuma lei usa a expressão “home care”, mas a jurisprudência do STJ é firme em um ponto: é abusiva a cláusula que veda a internação domiciliar como alternativa à internação hospitalar (por exemplo, AgInt no REsp 2.019.084/SP e AgInt no REsp 2.007.152/CE, 3ª Turma, 2022).

A lógica é simples: se o paciente teria direito à internação no hospital, a operadora não pode recusar a mesma assistência prestada em casa, quando essa é a indicação do médico — que, aliás, costuma ser a opção mais segura e mais barata.

O que a cobertura inclui

O STJ decidiu que a internação domiciliar substitutiva deve abranger os insumos a que o paciente teria direito se estivesse internado, observado o custo diário da internação hospitalar (REsp 2.017.759/MS, 3ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi).

Redução sem indicação médica

O tribunal também tem rejeitado a redução unilateral do atendimento domiciliar — por exemplo, de enfermagem 24 horas para 12 horas — sem indicação do médico assistente.

Onde está o limite

A discussão costuma surgir quando o pedido é de cuidador, e não de assistência técnica de enfermagem: tarefas de cuidado cotidiano, sem natureza técnica, geralmente ficam fora da cobertura. Por isso o relatório médico precisa descrever com precisão os cuidados necessários.

Motivos mais comuns da negativa

“O contrato não cobre home care”Quando o home care substitui a internação hospitalar, essa cláusula é considerada abusiva pelo STJ.
“O paciente precisa de cuidador, não de enfermagem”A distinção é técnica. O relatório deve descrever os procedimentos que exigem profissional de saúde.
“Vamos reduzir as horas de enfermagem”A redução precisa de indicação médica. Decisão unilateral da operadora não basta.
“Os insumos não estão incluídos”Na internação substitutiva, os insumos a que o paciente teria direito no hospital fazem parte da cobertura.
“A avaliação da operadora não indicou home care”Havendo divergência, prevalece a análise técnica do caso — e o relatório do médico assistente tem peso central.

O home care foi negado ou reduzido? Envie o relatório médico e a resposta do plano.

Passo a passo após a negativa

  1. Peça a negativa por escritoCom o motivo e o número de protocolo, inclusive em caso de redução do atendimento.
  2. Peça um relatório médico específicoQue diga expressamente que o home care substitui a internação hospitalar e descreva os cuidados, a equipe, a carga horária e os equipamentos necessários.
  3. Liste os insumos e equipamentosMedicamentos, curativos, dieta, oxigênio, cama hospitalar e o que mais for prescrito.
  4. Registre reclamação na ANSA notificação da operadora pela ANS pode resolver o caso antes da Justiça.
  5. Avalie o pedido de liminarPacientes que dependem de cuidados contínuos não podem esperar o fim do processo — é o caso típico de tutela de urgência.

Documentos necessários

  • Relatório médico indicando a internação domiciliar como substituta da hospitalar
  • Prescrição de equipe, carga horária, equipamentos e insumos
  • Resumo de alta ou relatório da internação hospitalar, se houver
  • Negativa por escrito ou comunicado de redução do atendimento
  • Carteirinha e contrato do plano
  • Comprovantes de gastos já feitos com cuidados e insumos

Perguntas frequentes

O plano pode recusar home care se o contrato não prevê?

Quando o home care é indicado como substituto da internação hospitalar, o STJ considera abusiva a cláusula de exclusão.

O plano é obrigado a pagar um cuidador?

Em regra, não. Cuidados cotidianos sem natureza técnica costumam ficar fora da cobertura. A assistência de enfermagem e os cuidados técnicos prescritos, sim.

O plano pode reduzir as horas de atendimento?

Não sem indicação médica. A redução unilateral tem sido rejeitada pelo STJ.

Os insumos e equipamentos estão incluídos?

Na internação domiciliar substitutiva, a cobertura abrange os insumos a que o paciente teria direito no hospital.

O plano pode cobrar coparticipação no home care?

Há decisão do STJ considerando indevida a coparticipação no home care que substitui a internação hospitalar. Ainda assim, vale examinar o contrato e o caso concreto.

Como o escritório atua nesses casos

No home care, o detalhe do relatório médico define o resultado. Analisamos a indicação com o apoio do médico assistente técnico do escritório, orientamos o que precisa constar do relatório e, se necessário, ajuizamos ação com pedido de tutela de urgência — inclusive para restabelecer atendimento reduzido. Também acompanhamos o cumprimento da decisão no dia a dia, que é onde costumam surgir os problemas.

Referências

  1. Lei nº 9.656/1998 — Lei dos Planos de Saúde
  2. Lei nº 8.078/1990 — Código de Defesa do Consumidor
  3. STJ — Súmula 608 (aplicação do CDC aos planos de saúde, salvo autogestão)
  4. STJ — AgInt no REsp 2.019.084/SP, 3ª Turma, j. 24/10/2022
  5. STJ — AgInt no REsp 2.007.152/CE, 3ª Turma, j. 22/11/2022
  6. STJ — REsp 2.017.759/MS, 3ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi (insumos na internação domiciliar)
  7. Lei nº 13.105/2015 — Código de Processo Civil, art. 300 (tutela de urgência)

Conteúdo de caráter informativo, elaborado pelos sócios do escritório a partir da legislação, das normas e da jurisprudência vigentes na data da atualização. Não substitui a análise individual do caso nem representa promessa de resultado. Publicação em conformidade com o Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB.

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